Moedas: “Tecnologia vai destruir empregos, mas criará outros que nem imaginamos”

As conferências Horasis já não são novidade para Carlos Moedas. O Comissário Europeu da Ciência e Inovação fez questão de salientar a qualidade de veterano no evento quando deu as boas vindas às centenas de participantes de todo o mundo que, durante quatro dias, se juntam em Cascais para discutir o estado do mundo e “inspirar o futuro”. “Estou aqui pelo segundo ano consecutivo. É uma pena que estejam aqui fechados com o sol que faz lá fora”. “Aqui” é o Centro de Congressos do Estoril, que desde sábado e até terça-feira funciona como quartel-general da cimeira internacional. Na sua intervenção, Carlos Moedas não fugiu ao tema que domina os debates: a tecnologia. “A Europa viveu recentemente o seu pior período de crise desde a II Guerra Mundial. Além da crise financeira, há a crise migratória, o Brexit, tudo ao mesmo tempo. No entanto, hoje temos a menor taxa de desemprego dos últimos dez anos. Temos a maior criação de emprego dos últimos 20 anos. E o maior crescimento económico da última década. Mas há uma grande distância entre a realidade e a percepção. As pessoas ainda não sentem essa recuperação, há muita descrença e preocupação. E isso é baseado no medo”, sublinhou o Comissário. Um medo, segundo Moedas, que tem na tecnologia a sua génese. “Há esta ideia generalizada de que os robots vão roubar os nossos empregos. Mas essa ideia não é sustentada com provas. Quando criaram o primeiro comboio, em Inglaterra, as pessoas também tiveram medo porque pensavam que o corpo humano não aguentava a velocidade. Hoje achamos que isso é ridículo. Há sempre a ideia de um futuro apocalíptico que não se concretiza”, sustentou Carlos Moedas. Segundo o Comissário, a tecnologia vai, de facto, destruir empregos, “mas vai criar tantos outros que nem imaginamos hoje. 65% das crianças que entram na escola hoje em dia, no futuro terão empregos que ainda não existem hoje. Os robots serão sempre melhores do que nós a analisar números, mas nunca serão melhores e processar emoções. Há muito conhecimento que não pode ser digitalizado” Carlos Moedas falava na manhã deste domingo num painel que contou ainda com a participação de Mohamed ElBaradei, antigo presidente do Egito e Prémio Nobel da Paz em 2005, Maria Manuel Leitão Marques, ministra da Presidência e Modernização Administrativa, Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais, e Frank-Jürgen Richter, chairman da Horasis. “Medo não pode ser baseado na ignorância” Também Maria Manuel Leitão Marques, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, destacou a necessidade de acabar com o “medo do futuro”. “O futuro tem de ser discutido de forma aberta e inclusiva, para que todos o entendam. Tendo em conta os riscos mas procurando as soluções. Não se pode ter medo com base na ignorância. Os robots vão substituir os nossos empregos mas também vão curar doenças. Haverá novos empregos e temos de estar preparados para isso”, sublinhou a governante em declarações ao Dinheiro Vivo. A ministra deu o exemplo do programa lançado pelo Governo, destinado à comunidade científica, que pretende desenvolver parcerias na área da inovação. “Houve 52 candidaturas. Os projetos que se candidataram, ou que já estão em desenvolvimento, permitirão, por exemplo, prever se uma pessoa corre o risco de ser desempregada de longa duração, evitar a prescrição excessiva de medicamentos ou perceber qual a melhor localização para investimentos”. A ministra admite que alguns dos projetos poderão ficar pelo caminho, porque “a inovação tem riscos. As coisas podem correr bem ou mal”.
in https://www.dinheirovivo.pt/economia/1192213/

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